E pronto, parece que acabou a novela de Outubro...
Aguardamos, para já, as consequências para o mercado da dívida pública portuguesa mas muito surpreendido ficaria se tal conduzir a uma descida expressiva dos juros (digamos 1,5%) nos próximos tempos.
Imagino-me como investidor exposto a noticias sobre as derrapagens já conhecidas nas finanças públicas e a todas as outras trapalhadas governativas/financeiras dos últimos tempos em Portugal. Será que a notícia de uma aprovação de um orçamento que força a contracção da economia e, pior, que vai ser tentado por em prática por uma equipa governamental que já deu provas da sua incapacidade de controlo da despesa, teria efeitos tranquilizadores nos mercados financeiros? Obviamente que não! O próprio min das finanças fez questão de enfatizar a existência de um "Big Brother" tentacular e vigilante que tudo conhece e que não podemos enganar, tal polvo Paul, vivendo nos aquários dos principais agentes financeiros internacionais.
Por isso, a descida dos juros constitui-se como uma miragem...
Tentando ir mais além, encontramos a reeleição do actual PR como o facto seguinte nesta visão estranhamente clara do futuro próximo.
Esta reeleição não constitui novidade nem traz qualquer alteração significativa ao prosseguimento do percurso governativo actual, conhecendo-se o modo de actuação e os valores de Cavaco Silva.
Resta-nos então centrar os nosso poderes de vidência num futuro um tudo nada mais longínquo. Partindo do pressuposto que não entrarão em cena quaisquer actores externos à nossa república, vislumbramos um momento potenciador de mudança e, assim também, de esperança. As eleições legislativas!
Tal como em todas as outras anteriores, estamos perante os mesmos protagonistas, ou quase, e a mesma ausência de alternativas.
Por um lado, o esquerdo, temos duas forças claramente de vocação opositiva, que não contarão para o jogo governativo.
Por outro, o direito, temos aquela que tem vindo a constituir-se como a única força que poderá trazer algo de novo ao rumo governativo da III república. Apesar de estar também ela refém de alguma co-responsabilidade por políticas ou actos de gestão da "coisa pública" com resultados duvidosos para a saúde actual daquela. Obviamente falo do CDS-PP.
Ao centro, com tendências mais ou menos de esquerda, encontramos os de sempre. Conhecemo-los bem, assim como as consequências de quase todos os governos que tiveram a sua assinatura.
Apesar de os colocar no mesmo "saco", na verdade têm diferenças assinaláveis, sendo que a principal é o seu "pedigree" ideológico. Enquanto um é, assumidamente, defensor da existência de um mercado menos regulado e de um estado menos interventivo, numa lógica naturalmente capitalista, o outro nem sabe bem o que é... Actualmente poderemos categorizá-lo com um travesti ideologico/político! Uma mistura terrivelmente ambígua entre uma natureza socialista, aparelhística e "camaradística" e um modus faciendis ilusioriamente progressista e até neoliberal, que mascara de humanismo a aplicação de políticas essencialmente desprezadoras dos indivíduos constituintes da plebe. (virei cá mais tarde ;))
É neste quadro terrivelmente redutor que vamos ser chamados, mais uma vez, a "escolher" o menos mau, sabendo de antemão que, tal como o orçamento, nada daqui resultará de significativo, sendo que temos sempre a esperança que a agonia seja um pouco menos dolorosa e um pouco mais longa...