O velório do cadáver do Pinóquio, mais conhecido por III República

Sandro Nóbrega

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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Olá a todos os que tiveram a amabilidade de me ler por aqui. Peço desculpa pela ausência mas achei que devia dar tempo a que algo novo surgisse após as eleições...

 

Uma palavra também de apreço a alguém, que não conheço, que visita regularmente este meu espaço e que me faz sentir sempre em dívida sobretudo porque o faz a partir de bem longe, mais concretamente dos Estados Unidos! Um bem haja!

 

Resolvi escrever um e-mail a alguém que prezo bastante como comentador e analista económico na esperança que, através da sua voz, possa chegar um pouco mais longe. É ele Camilo Lourenço!

 

Caro Camilo Lourenço
Sou um seu ouvinte e leitor habitual e desde já quero agradecer-lhe o verdadeiro serviço público que vem fazendo ao longo destes últimos anos, ao contrário de muitos outros comentadores da nossa praça.
Sou apreciador da sua sensatez e da serenidade com que, de forma objectiva, nos tem vindo a alertar para o estado da nação.
Sou funcionário público e, tal como muitos outros, vou sofrer com os actuais cortes. Nada que não soubesse ou, pelo menos, adivinhasse.
Entendo perfeitamente o estado de emergência actual e disponho-me a sacrificar-me pelo bem da nação (mais uma vez) mas o que me deixa indignado e desiludido é saber que estas medidas pouco ou nada tem de estruturais e a ausência de reconhecimento de que também nós, os funcionários públicos, seremos credores do estado uma vez que este se prepara para romper um contrato connosco (e estou até a esquecer o corte anterior sob a forma de imposto especial).
Assim pergunto eu:
1º Não deveria o estado assumir a dívida para connosco e entender este nosso esforço como um empréstimo mesmo que a juro zero, a qual deveria ser honrada posteriormente numa fase menos complicada?
2º Porque pode o estado romper contratos connosco e não com outros, nomeadamente os consórcios envolvidos nas PPP's ou mesmo com os mercados financeiros?
3.º Porque têm que ser os trabalhadores no activo a pagar a factura mais elevada? Todos sabemos que o actual modelo de estado social está falido. Somos  cada vez mais um país de velhos, logo de pensionistas. Há um número crescente de pensões de valores incomportáveis (para cima de 1500 euros) e cada vez menos trabalhadores no activo.
Eu entendo bem os objectivos (camuflados) do governo e, confesso, até concordo com eles: tornar a carreira do funcionalismo público pouquissimo atractiva e assim levar a que os func pub. saiam pelo seu próprio pé da mesma. Tal será o objectivo maior da medida anunciada pois o mesmo nível de receitas (ou de cortes, como quiser) poderia ser obtido, e com vantagens, através de cortes nas pensões e, sobretudo, alterações muito mais significativas no subs de desemprego e rendimento social de inserção.
Houvesse coragem para isso e assim teríamos verdadeiras medidas que revolucionariam a nossa economia e mentalidades, sobretudo se paralelamente houvesse um choque fiscal que tirasse o garrote contributivo que é o maior impecilho ao nosso desenvolvimento económico.
Para terminar, e peço desculpa pela longa exposição, gostaria que pudesse dar um grande ênfase nas suas comunicações a outro dos garrotes que, desde há muito, espartilha a sociedade portuguesa: a Justiça!
Estou em crer que se houvesse uma justiça cega e eficaz 2/3 dos nosso problemas seriam resolvidos ou menorizados.
Se houvesse essa justiça o estado não vilipendiava tão facilmente os seus cidadãos e não rasgaria os contratos que tem com os mais fracos.
Obrigado pela atenção
Continue o bom trabalho!
Cumprimentos
Sandro Nóbrega
publicado por a_republica_cadaver às 13:31

Terça-feira, 09 de Novembro de 2010

Convido-vos a ver este gráfico e a contemplar a rota traçada desde, pelo menos, Março!

O resto é "blá, blá, blá... wiskas saquetas"...

publicado por a_republica_cadaver às 16:48

Quinta-feira, 04 de Novembro de 2010

Assumindo a minha iliteracia económica, penso que a questão do aumento dos juros da dívida estará, também, relacionada com o descrédito a que chegou esta república e seus máximos representantes mas acima de tudo relaciona-se com a lógica económica de ganhar o máximo disponível no negócio em questão.
Os nossos credores sabem perfeitamente como o nosso estado está dependente do financiamento externo não apenas para investimento mas, mais importante, para o seu próprio funcionamento ordinário.
Os mercados sabem perfeitamente que o estado terá forçosamente que obter o financiamento vital, qualquer que seja o seu custo. Por isso o restauro da credibilidade, embora necessária, não irá provocar uma descida significativa dos juros (se é que descem...). Tal só acontecerá se houver uma alternativa de financiamento do estado que "concorra" com os mercados da dívida. E qual é essa alternativa? O fundo europeu ou o tenebroso FMI...
Enquanto não chegar essa hora, os mercados vão, logicamente, sugar o máximo possível! É a economia, estúpido!

publicado por a_republica_cadaver às 14:33

Quarta-feira, 03 de Novembro de 2010

Este vai ser um post diferente. O texto não é meu mas, como disse alguém, parece que sou eu a falar... Mas quem o disse fe-lo com muita bondade... ;)

 

Aqui vai um cheirinho. E, se gostarem, poderão encontrar o texto completo aqui.

 

O paradoxo do estado de bem-estar social

02 de Novembro de 2010 - por Richard Fulmer

 

"O bem-estar material de qualquer sociedade depende da quantidade e qualidade dos bens e serviços que ela produz. Todos os bens e serviços consumidos pelos membros improdutivos da sociedade devem ser tirados dos — ou pagos pelos — produtivos. As políticas dos estados de bem-estar social garantem que as classes dos improdutivos crescerão e que as da população produtiva encolherão, e que a produtividade do número cada vez menor de produtores cairá ainda mais. Como resultado, a quantidade e qualidade dos bens e serviços disponíveis cairão e a pobreza aumentará. A mecânica desse declínio é tão simples quanto previsível."

publicado por a_republica_cadaver às 19:28

Terça-feira, 02 de Novembro de 2010

 

É tão fácil ser bruxo...

Tão fácil que me leva a pensar que nos estão a tomar por parvos! E sabem que mais? Somos mesmo...

publicado por a_republica_cadaver às 08:36

Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

Ultimamente anda aí a moda de falar em investimento público não reprodutivo... será disto que falam?

 

Vejam também: esta e esta (atenção que é de 2007)

 

e depois façam o favor de pensar um bocadinho...

publicado por a_republica_cadaver às 15:44

Andei aqui e não pude deixar de fazer o comentário que reproduzo abaixo:

 

Ainda ontem o prof Marcelo falava na previsibilidade de Cavaco como sendo a única existente no país. De facto, previsibilidade é algo que temos em abundância pois todos sabemos a inevitabilidade da nossa degradação económica, a postura dos actores políticos e as consequências para o país.
Fazer futurologia é fácil!

Tenho pena é que o debate que continua a ser feito é-o centrado no objecto errado: as disputas partidárias.

O que todo o povo sabe, mesmo que se esforce por ignorar, é que a solução não está ao seu alcance através do exercício de voto. A democracia esgota-se quando se esgotam as alternativas... Alguém pensará que as próximas eleições poderão realmente mudar significativamente alguma coisa? Tirando os militantes e simpatizantes indefectíveis dos diferentes partidos, todos os eleitores devem sentir sobretudo uma grande angústia...

publicado por a_republica_cadaver às 12:34

Sábado, 30 de Outubro de 2010

E pronto, parece que acabou a novela de Outubro...

Aguardamos, para já, as consequências para o mercado da dívida pública portuguesa mas muito surpreendido ficaria se tal conduzir a uma descida expressiva dos juros (digamos 1,5%) nos próximos tempos.

Imagino-me como investidor exposto a noticias sobre as derrapagens já conhecidas nas finanças públicas e a todas as outras trapalhadas governativas/financeiras dos últimos tempos em Portugal. Será que a notícia de uma aprovação de um orçamento que força a contracção da economia e, pior, que vai ser tentado por em prática por uma equipa governamental que já deu provas da sua incapacidade de controlo da despesa, teria efeitos tranquilizadores nos mercados financeiros? Obviamente que não! O próprio min das finanças fez questão de enfatizar a existência de um "Big Brother" tentacular e vigilante que tudo conhece e que não podemos enganar, tal polvo Paul, vivendo nos aquários dos principais agentes financeiros internacionais.

Por isso, a descida dos juros constitui-se como uma miragem...

Tentando ir mais além, encontramos a reeleição do actual PR como o facto seguinte nesta visão estranhamente clara do futuro próximo.

Esta reeleição não constitui novidade nem traz qualquer alteração significativa ao prosseguimento do percurso governativo actual, conhecendo-se o modo de actuação e os valores de Cavaco Silva.

Resta-nos então centrar os nosso poderes de vidência num futuro um tudo nada mais longínquo. Partindo do pressuposto que não entrarão em cena quaisquer actores externos à nossa república, vislumbramos um momento potenciador de mudança e, assim também, de esperança. As eleições legislativas!

Tal como em todas as outras anteriores, estamos perante os mesmos protagonistas, ou quase, e a mesma ausência de alternativas.

Por um lado, o esquerdo, temos duas forças claramente de vocação opositiva, que não contarão para o jogo governativo.

Por outro, o direito, temos aquela que tem vindo a constituir-se como a única força que poderá trazer algo de novo ao rumo governativo da III república. Apesar de estar também ela refém de alguma co-responsabilidade por políticas ou actos de gestão da "coisa pública" com resultados duvidosos para a saúde actual daquela. Obviamente falo do CDS-PP.

Ao centro, com tendências mais ou menos de esquerda, encontramos os de sempre. Conhecemo-los bem, assim como as consequências de quase todos os governos que tiveram a sua assinatura.

Apesar de os colocar no mesmo "saco", na verdade têm diferenças assinaláveis, sendo que a principal é o seu "pedigree" ideológico. Enquanto um é, assumidamente, defensor da existência de um mercado menos regulado e de um estado menos interventivo, numa lógica naturalmente capitalista, o outro nem sabe bem o que é... Actualmente poderemos categorizá-lo com um travesti ideologico/político! Uma mistura terrivelmente ambígua entre uma natureza socialista, aparelhística e "camaradística" e um modus faciendis ilusioriamente progressista e até neoliberal, que mascara de humanismo a aplicação de políticas essencialmente desprezadoras dos indivíduos constituintes da plebe. (virei cá mais tarde ;))

É neste quadro terrivelmente redutor que vamos ser chamados, mais uma vez, a "escolher" o menos mau, sabendo de antemão que, tal como o orçamento, nada daqui resultará de significativo, sendo que temos sempre a esperança que a agonia seja um pouco menos dolorosa e um pouco mais longa...

publicado por a_republica_cadaver às 16:30

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

No comments...

publicado por a_republica_cadaver às 13:51

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Há demasiado tempo que assistimos a um pingue-pongue político entre PS e PSD tendo por bola não só o orçamento como também a responsabilidade da sua (não)aprovação.

O espetáculo desportivo cativou toda a plateia que também se municiou da sua própria raqueta e tem participado de forma meio entusiástica na contenda.

Perdidos na poeira deste jogo, os contendores e espectadores parece não perceberem que o mundo gira lá fora da mesma forma, na mesma rota e à mesma velocidade, com a consciência que, independentemente do resultado da contenda, tudo permanecerá basicamente igual...

A divida pública externa, o deficit, as deficiências estruturais da economia, os excessos, as manipulações, as cabeças enterradas na areia... tudo continuará genericamente como dantes.

Os media entretanto continuam satisfeitos por proporcionarem directos e crónicas desportivas de um recontro tão emocionante que, tal como todos os grandes jogos desportivos, no final trará apenas a satisfação do vencedor (se houver) e a frustração do vencido que se esvaziarão irreversivelmente de emoções... até ao próximo fim-de-semana.

 

O espetáculo é giro, a malta gosta, diverte... mas na vida real tudo está decidido.

 

Passeiem por aqui depois aqui e também aqui, e vejam se de facto não continuamos entretidos com" faits divers" fazendo tempestades num copo-de-água enquanto o navio naufraga na nossa velha tempestade.

 

p.s. um aqui ainda mais fresquinho!

p.s.2 próximos capítulos...

publicado por a_republica_cadaver às 20:45